Formação promove interpretação de dados para secretarias de Educação do interior de SP

Formação promove interpretação de dados para secretarias de Educação do interior de SP

Para utilizar dados estatísticos na formulação de políticas públicas educacionais, um dos elementos-chave é o desenvolvimento de habilidades de interpretação dos números. Com objetivo de auxiliar técnicos de secretarias de educação a fortalecer essa capacidade e gerar análises locais capazes de identificar e reduzir desigualdades educacionais entre escolas, a Cátedra Sérgio Henrique Ferreira realizou o segundo módulo de formação com profissionais de oito municípios do interior de São Paulo. A iniciativa foi realizada no final de fevereiro e contou com apoio da B3 Social.

A partir da experiência de outras formações realizadas ao longo de 2024, a equipe da Cátedra identificou que, apesar de compreender as metodologias e o uso das ferramentas apresentadas, parte dos cursistas seguia tendo desafios na interpretação de dados quando retornava para suas redes de ensino. “A gente percebeu que as visualizações que fazemos juntos durante os encontros são claras para os cursistas, mas ainda estava difícil para eles interpretarem outros resultados quando faziam suas próprias análises nas secretarias. Por isso, adaptamos nossa formação”, relatou Larissa Maciel, pesquisadora e analista de dados da Cátedra.

Segundo ela, no formulário de inscrição, os participantes já respondem a algumas perguntas que permitem à equipe identificar o nível de familiaridade com a análise de dados e quais são as maiores necessidades de desenvolvimento. A partir disso, a ementa é adaptada, para responder melhor aos desafios identificados. “Buscamos oferecer uma formação para todo o processo: captação de dados, manipulação de planilhas, visualização de informações e realização de análises para conectar os resultados à realidade da rede. Mas cada um deles é estimulado a identificar elementos que ajudem a explicar a informação, conseguir tirar conclusões a partir do que o dado mostra, conectar com seu contexto e comunicar sugerindo caminhos ou intervenções locais, por exemplo”, explicou Larissa.

Para isso, o trabalho final do curso é justamente a elaboração de um relatório contendo interpretações dos resultados. Um dos primeiros municípios a entregar o relatório em 2025 foi Monte Azul Paulista, cuja rede de ensino atende a cerca de 2.200 estudantes. O supervisor de ensino do município, Jefferson Luis Brentini da Silva, participou da formação e destacou a importância da análise de dados para a política pública.

“Eu tenho certa experiência em pesquisas, fiz pós-doutorado em educação, mas para mim essa formação foi um divisor de águas e me trouxe novas perspectivas. Sempre senti necessidade, quando atuava como professor e coordenador pedagógico, de me debruçar mais sobre os resultados dos estudantes e, a partir deles, pensar em ações que possam gerar melhorias. Agora, me sinto mais preparado para fazer o movimento de mapear a realidade em que estou, compreender onde os alunos têm proficiência mais baixa ou mais fora da curva, identificar os possíveis motivos e atuar sobre isso”, afirmou Jefferson.

O supervisor destaca que, muitas vezes, as estatísticas são mal vistas no campo da educação, por conta de um histórico de uso equivocado, meramente concentrado em “culpabilização” por indicadores ruins. “Já vi situações em que os números são apresentados de forma muito ruim, ou sem qualquer interpretação no sentido de como buscar melhorar. Mas os dados refletem situações, contextos, realidades que podem ser alteradas se a gente repensar as práticas educativas”, defendeu. “A política pública precisa ser formulada numa perspectiva horizontal, que ajude a instrumentalizar os que estão no chão da escola para que, juntos, a gente possa fomentar ações favoráveis. Às vezes você tem um programa que é bom, mas deixa de olhar para o que o aluno realmente precisa. Desenhar políticas públicas tendo os dados como aliados e compartilhando conhecimento com quem está nas escolas e salas de aula é o melhor caminho para gerar transformações necessárias.”

Ele conta que, após retornar do encontro presencial na Cátedra, se debruçou sobre os dados locais para desenvolver o relatório final e já compartilhou as análises com todos os profissionais da rede municipal por meio do boletim semanal de Educação. Jefferson também já convidou todos os diretores escolares para uma reunião em que abordou os conceitos e práticas da formação, apresentou os resultados que identificou no trabalho e mostrou que a rede precisa combater a desigualdade educacional. “Quando a gente participa de uma formação de excelência como esta, e traz uma devolutiva compartilhando com os demais profissionais, colocamos todo mundo no mesmo barco e começamos a direcionar ações e projetos concretos. Temos ótimos profissionais e uma rede comprometida. Com esse tipo de suporte, acredito que podemos fortalecer os vínculos de fazer a diferença no município.”Além de disponibilizar parte do material formativo no modelo de videoaulas, que podem ser acessadas de forma assíncrona no canal do IEA-RP do YouTube, a equipe irá acompanhar as ações dos cursistas, buscando contar com técnicos associados, e dar prosseguimento às ações.

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