Formação promovida por cátedra da USP envolve municípios e estado para redução de desigualdades educacionais em Alagoas

Formação promovida por cátedra da USP envolve municípios e estado para redução de desigualdades educacionais em Alagoas

Com foco no aprimoramento do uso de evidências para reduzir as desigualdades e melhorar a aprendizagem nas redes de ensino, a formação “Análise de dados educacionais com inteligência artificial” permitiu a discussão de conceitos e práticas para auxiliar profissionais alagoanos da educação. O encontro ocorreu entre 6 e 10 de outubro, promovido pela Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto da USP, em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Pela primeira vez, uma formação da Cátedra envolveu também técnicos da secretaria estadual de Alagoas, que receberam um conteúdo personalizado nos três primeiros dias. A Superintendência de Políticas Educacionais do estado, o gerente de estatísticas da Secretaria de Estado da Educação de Alagoas e representantes das Gerências Especiais de Educação (GEEs) participaram ativamente do módulo, totalizando 23 cursistas neste grupo. Em conjunto com os formadores da Cátedra, os participantes analisaram dados da rede estadual, especialmente do Ensino Médio.

“Foi a primeira vez que incluímos essa etapa nos nossos levantamentos de Alagoas, e foi muito interessante, pudemos ter trocas significativas e compartilhar interpretações a partir do conhecimento que eles possuem da realidade local”, comentou Larissa Porfirio, responsável pela formação e uma das formadoras.

Segundo ela, as turmas foram separadas entre os participantes da rede estadual e municipal porque o foco das análises seria diferente, além do fato de os técnicos municipais já terem passado por outras formações da Cátedra antes e já conhecerem algumas das ferramentas e metodologias compartilhadas pela primeira vez com a rede estadual. No segundo grupo de formação, nos dias 9 e 10, participaram outros vinte profissionais dos 12 municípios parceiros da Cátedra.

“Como já tínhamos trabalhado em duas outras edições com eles os conceitos introdutórios e as primeiras experiências de uso de dados, agora pudemos avançar em outros aspectos”, explicou Larissa. Além de praticar novas formas de visualização dos dados, como nos mapas de georreferenciamento (utilizados pela Cátedra nos relatórios personalizados para redes parceiras), os cursistas também exploraram recomendações para a interpretação dos dados, com a sugestão de trabalho colaborativo entre os perfis mais técnicos e os mais pedagógicos.

A partir das discussões coletivas e de um questionamento da Secretária de Educação do município de Ouro Branco, Ana Paula Reis, o grupo pôde aprofundar a leitura de uma nota técnica do Instituto Nacional de Estudos Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) para tentar compreender o motivo do indicador de desempenho do município ser calculado apenas com o desempenho das escolas urbanas, excluindo os dados das escolas rurais.

“Isso foi uma novidade para muitas pessoas, nós também vamos tentar entender o porquê. Foi um debate intenso e bem proveitoso e ficou esse alerta de buscar refletir se esta é a melhor forma de calcular, para termos dados mais fiéis à realidade; especialmente em municípios que possuem um número significativo de escolas ruais”, afirmou Larissa.

Para contribuir com a troca de conhecimentos entre pares, por conta do excelente desempenho nas formações de 2024, o responsável da pasta de Avaliação Interna e Externa do município de Pilar – um dos parceiros da Cátedra -, Tobias do Nascimento, foi convidado pela equipe para ser monitor na formação, em ambos os grupos. “Foi muito gratificante ser convidado, é um reconhecimento pelo trabalho que fazemos, eu já tenho aplicado no município o que aprendi nos cursos anteriores”, contou Tobias. “Essa formação trouxe novas abordagens e materiais, isso tudo vai se somando para conduzirmos políticas públicas com base em evidências e sem achismos. O curso ajuda muito.”

Inteligência artificial como ferramenta complementar

Nas duas turmas, tanto da rede estadual quanto das municipais, foi apresentada pela primeira vez a incorporação de ferramentas de inteligência artificial (IA) em algumas das etapas de análise de dados. Os formadores Carlos Eduardo Rodrigues dos Santos e Pedro Sartori Dias dos Reis mostraram programas, metodologias e orientações para construir bons prompts de comandos, incluindo formas de refinar a obtenção de respostas eficientes e otimizar as operações.

Foram abordadas as IAs generativas mais conhecidas, em suas versões gratuitas, e também compartilhadas sugestões como vincular outros aplicativos, sempre reforçando a importância de checar a coerência das respostas obtidas, compreender as referências utilizadas e, especialmente, não carregar dados sensíveis nas plataformas. Desse modo, a IA foi apresentada como estratégia de apoio, que deve ser utilizada de forma cautelosa e crítica, e jamais para substituir funções humanas, que seguem essenciais para a conferência da informação.

Os cursistas têm até novembro para entregar relatórios das atividades realizadas e mostrar formas de interpretação dos dados de suas próprias redes, podendo incorporar gráficos interativos e contextualizar os resultados observados.

Formação promovida por cátedra da USP envolve municípios e estado para redução de desigualdades educacionais em Alagoas
Equipe da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira com os cursistas das redes estadual e municipais

Histórico da parceria

A formação foi realizada no Centro de Estudos do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HU), e é uma continuação das atividades que a Cátedra desenvolve na região há quase três anos, oficializada em parceria assinada pelo reitor da UFAL, Josealdo Tonholo. Por meio da coordenação local da reitora honorária da UFAL, Ana Dayse Dorea, foi montado um grupo de trabalho que oferece apoio constante às redes parceiras. O trabalho também conta com apoio da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA).

Os municípios participantes são: Atalaia, Cacimbinhas, Pilar, Paripueira, Quebrangulo, Feliz Deserto, Jundiá, Olho D’água das Flores, Pão de Açúcar e Piranhas, atualmente somando Coruripe e Ouro Branco. No início de julho, foi realizada a primeira reunião com representantes da Secretaria de Estado da Educação de Alagoas para compartilhamento de relatório com análises das 13 regionais do Estado, no qual ficou evidente que há diferenças nos resultados entre territórios, mesmo com nível socioeconômico parecido.

VOCÊ PODE GOSTAR ...