Um novo modelo de assessoria técnica foi desenvolvido pela Cátedra Sérgio Henrique Ferreira para auxiliar diretamente secretários de educação em busca de melhorar a aprendizagem de qualidade com equidade em suas redes. A convite do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS), a equipe promoveu a assessoria durante o Encontro de Diagnóstico Educacional realizado em Porto Alegre nos dias 30 de junho e 1º de julho de 2026, apoiando estrategicamente 20 redes municipais presentes.
A iniciativa integrou a primeira fase da segunda edição do Programa Educa+RS, que conta com parceria da Cátedra desde a primeira edição. “A relação com a Cátedra Sérgio Henrique Ferreira tem sido muito produtiva desde o início, especialmente a partir da experiência e dos conhecimentos do professor Mozart [Neves Ramos, titular da Cátedra]. Agora, a nossa colaboração se ampliou com novas entregas, como cursos e a elaboração de diagnósticos detalhados para os municípios participantes”, explicou Vinicius Lacerda, auditor do TCE-RS.
De acordo com ele, além dos 21 municípios participantes da primeira edição do programa do TCE-RS, que aceitaram o convite para seguir participando da iniciativa, foram selecionados mais 21, totalizando 42 redes de ensino que serão acompanhadas até 2027. Entre os critérios para escolha, estavam o porte (no mínimo 2,5 mil estudantes matriculados no Ensino Fundamental) e o desempenho no Ideb, priorizando aqueles com maior potencial de melhoria.
No primeiro encontro desta edição, a Cátedra ficou responsável pela elaboração e apresentação dos diagnósticos educacionais individualizados dos municípios, enquanto a equipe do TCE-RS conduziu o mapeamento das estratégias, práticas e políticas desenvolvidas pelas redes municipais.
Assessoria com atendimentos individualizados
Para o encontro, a equipe da Cátedra revisou e remodelou os Relatórios de Diagnóstico, buscando apresentar as informações de forma mais objetiva e acessível às equipes das Secretarias Municipais de Educação. Cada município recebeu um relatório elaborado especificamente para sua rede, reunindo indicadores dos Anos Iniciais e Finais do Ensino Fundamental e análises sobre a evolução da aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática, entre 2013 e 2023. A série histórica permitiu observar a trajetória dos resultados antes, durante e depois da pandemia, identificando avanços e possíveis dificuldades no processo de recomposição das aprendizagens.
Durante o evento, foram realizados atendimentos individualizados com cada município, à medida que os dados eram apresentados, contextualizados e discutidos com as equipes. Participaram secretários municipais de Educação, secretários adjuntos, assessores e profissionais das equipes técnicas. Em cada atendimento, os representantes puderam analisar os resultados de sua própria rede, esclarecer dúvidas, contextualizar os indicadores e compartilhar percepções sobre os fatores que podem ter influenciado o desempenho dos estudantes.
Além da análise das médias de desempenho, o relatório procurou analisar o percentual de estudantes que alcançaram níveis adequados de aprendizagem ao final de cada etapa. Isso permite observar não apenas se a média da rede aumentou ou diminuiu, mas também a parcela de estudantes que efetivamente alcançaram os conhecimentos esperados para sua etapa de escolarização. “A experiência reforçou a importância de combinar a análise técnica dos dados com a escuta qualificada dos profissionais que conhecem o cotidiano das redes. Os resultados educacionais ganham maior sentido quando são interpretados à luz das características de cada território, de sua trajetória e das políticas desenvolvidas localmente”, afirmou Larissa Porfirio, gerente de formação da Cátedra.
Segundo ela, as conversas evidenciaram desafios como as demandas relacionadas à educação inclusiva e a presença de população flutuante. Além dos impactos educacionais provocados pela pandemia, alguns dos municípios enfrentaram as consequências das enchentes de 2024, que afetaram escolas, comunidades e a continuidade das atividades educacionais. “Esse é um elemento relevante para compreender os desafios relacionados à recomposição das aprendizagens. O diálogo com os profissionais das secretarias foi fundamental para contextualizar os números e compreender aspectos da realidade local que não aparecem diretamente nas bases de dados.”
Parceria segue até o final de 2027
Paralelamente ao diagnóstico da Cátedra, a equipe do TCE-RS realizou o mapeamento da estrutura das secretarias, das políticas, práticas e iniciativas desenvolvidas pelos municípios. A integração entre os indicadores educacionais e as ações implementadas pelas secretarias contribui para uma leitura mais completa, permitindo relacionar resultados, decisões de gestão e estratégias de intervenção.
A partir de agosto e até dezembro, as redes terão mentorias mensais presenciais na sede do Tribunal, em Porto Alegre, cada uma abordando uma dimensão educacional e indicando caminhos para planos temáticos. Em dezembro, os documentos serão consolidados em um único plano de ação com medidas de gestão educacional. Ao longo de 2027, as redes serão acompanhadas até a realização da próxima prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). “A Cátedra nos auxiliou também com a articulação de diversos atores para realizar as mentorias, e ainda pretendemos fazer ao menos dois cursos para mais de 400 pessoas. É um apoio muito importante para nós.”
Para Mozart Neves Ramos, a iniciativa mostra o potencial das ações de colaboração, quando academia e tribunal de contas se dedicam a contribuir com políticas públicas elaboradas por gestores. “A partir de informações com base em evidências, é possível apoiar as equipes na identificação de prioridades e na reflexão sobre possíveis estratégias para saírem de situação de baixo desempenho escolar, com equidade. Este é nosso objetivo comum.”


