“Ser gestor escolar vai muito além de administrar uma escola; é inspirar profissionais e orientar um ambiente capaz de transformar vidas. Investir em formações é uma necessidade urgente, toda escola precisa de gestores preparados”. A afirmação de Alessandra Tobias da Silva, diretora da Escola Municipal Profª Anna Bonagura de Andrade, em Batatais (SP), reflete uma preocupação crescente com a qualificação do papel da liderança escolar. Visando apoiar profissionais para lidar com desafios complexos diante das mudanças da sociedade atual, a Cátedra Sérgio Henrique Ferreira está oferecendo em suas formações específicas para gestores escolares um novo aplicativo de desenvolvimento profissional.
Alessandra, que lidera cerca de 50 pessoas em uma unidade escolar com 460 estudantes no interior de São Paulo, participou de um dos encontros formativos no Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto da USP, ao lado de mais dez diretores e do secretário municipal de Educação de Batatais, Victor Hugo Junqueira. No início de maio, eles foram a primeira turma a testar o modelo piloto do aplicativo para gestores desenvolvido pela Cátedra, com apoio de Inteligência Artificial.
Ao acessar a ferramenta on-line, o gestor pode aprofundar seus conhecimentos sobre os fundamentos e a relevância de cada atribuição para a sua prática, além de ter acesso a dois tipos de diagnósticos. O primeiro, em formato de autoavaliação, contém cerca de 70 questões que ajudam a verificar onde estão os pontos fortes e as maiores dificuldades. No segundo, é possível analisar o contexto escolar para gerar um diagnóstico sobre quais desafios a unidade enfrenta, como um todo.
“Fiquei deslumbrada com a formação, foi um momento significativo para minha trajetória profissional, com muitas reflexões sobre o papel do gestor diante dos desafios atuais”, afirma a diretora. “Eu sempre digo que direção é um cargo muito solitário, por isso é de suma importância podermos viver momentos de partilha e trocas, como este proporcionado pela Cátedra, que desenvolve um trabalho muito sério e bem embasado.”
Segundo ela, com o apoio da equipe foi possível relacionar a teoria com as vivências e situações cotidianas, e pensar em estratégias práticas para lidar com os desafios da gestão. Entre esses desafios, Alessandra destaca, além das questões administrativas, a busca por garantir qualidade mesmo com poucos recursos; promover inclusão, acompanhamento e respeito às diferenças; estabelecer parceria efetiva com famílias; liderar pessoas com diferentes perfis, mantendo a motivação; acompanhar questões emocionais dos estudantes; e administrar conflitos e relações interpessoais de todas as ordens.
“Muitas capacitações priorizam conteúdos técnicos, mas deixam em segundo plano inteligência emocional e mediação de conflitos, por exemplo. Os gestores têm o papel de promover uma cultura colaborativa na escola, na criação de espaços de estudo, diálogo e reflexão entre profissionais. É preciso ter uma postura de liderança pedagógica, atuar como alguém que acompanha, orienta e mobiliza a comunidade escolar em torno da aprendizagem”, defende.
Aplicativo utiliza matriz de competências da gestão escolar
A partir da experiência acumulada em anos de formações para gestores, e tendo como titular o relator do parecer nº 4/2021 da Base Nacional Comum de Competências do Diretor Escolar (BNC-Diretor Escolar), Mozart Neves Ramos, a Cátedra compilou a base de conhecimentos sobre o tema em um aplicativo de autoavaliação e desenvolvimento profissional.
Embora ainda não tenha sido homologada, a BNC-Diretor oferece uma estrutura de referência para a compreensão abrangente do papel dos gestores. O documento propõe quatro dimensões de atuação, cada uma com competências e atribuições específicas. “São dezenas de atribuições que um diretor precisa dominar, algo difícil de implementar e acompanhar no dia a dia. Por isso surgiu a ideia de construir um aplicativo com base em inteligência artificial, a partir de documentos educacionais, para auxiliar o profissional a identificar o quanto ele domina e aplica essas competências, e quais podem ser mais desenvolvidas”, conta o idealizador do app, João Henrique Rafael Júnior, analista do IEA e gestor de projetos da Cátedra em Ribeirão Preto.
A partir das informações fornecidas pelo gestor, o aplicativo gera um conjunto variado de visualizações para apoiar a compreensão daquilo que é mais necessário desenvolver. O resultado mostra tanto os aspectos em que uma habilidade do gestor pode solucionar um desafio do contexto, como os pontos de atenção, em que o gestor pode ter mais dificuldade para lidar com situações que são mais demandantes na unidade. Cruzando essas informações com a documentação de referência fornecidas pela Cátedra, o aplicativo gera uma sugestão de plano estratégico de ação, que pode ser totalmente personalizado pelo diretor.
“O aplicativo chamou nossa atenção e eu já tenho usado no meu dia a dia. Ele aproxima a teoria, aquilo que precisamos ter, da ação cotidiana para realmente aplicar o modelo de gestão de forma mais intencional e planejada”, explica Alessandra. “É uma ferramenta acessível, organizada e alinhada com as necessidades da gestão escolar contemporânea, podendo apoiar a formação continuada da equipe como um todo. Fiquei encantada.”

Além de sugerir ações, ferramentas adicionais e um cronograma com um passo a passo de implementação do plano, que podem ser sempre ajustadas às necessidades e possibilidades reais do gestor, o aplicativo também possui um chatbot que trabalha apenas com as informações do plano personalizado, atuando como um assistente virtual para tirar dúvidas, atualizar o plano com base no que já estiver sendo implementado e sugerir ações adicionais.
Cada gestor tem a opção de salvar seus diagnósticos e montar uma apresentação do plano de desenvolvimento, e compartilhar com as equipes apenas aquilo que se sentir mais confortável. “Mas quando o foco é no desenvolvimento, se as dificuldades forem compartilhadas e dialogadas, a secretaria pode gerar ações de suporte coletivo. Por exemplo, se ela identificar que boa parte dos profissionais tem desafios na gestão pedagógica, é possível a rede promover dinâmicas e metodologias para esse fortalecimento.”
Para o secretário Victor Hugo Junqueira, com essa perspectiva é possível implementar políticas com base em evidências e profissionalizar ainda mais a atuação das equipes. “Com respeito e confiança, podemos identificar melhor os pontos frágeis e eventuais vulnerabilidades da rede para criar processos formativos mais eficientes. Agora, vamos refletir sobre a formação da Cátedra, que foi extremamente importante para nossa equipe, a buscar novos momentos para amadurecer e ajustar aquilo que precisamos para avançar”, afirma.



